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Das piscinas para o mundo

  • Foto do escritor: Natália Hinoue
    Natália Hinoue
  • 6 de abr. de 2020
  • 3 min de leitura

Conheça Caíque Aimoré, paratleta mogiano


por Emilly Martins, Gabrielle Melo, Luma Cavalcanti e Natália Hinoue O Centro Paralímpico Brasileiro estava em clima de competição na tarde do dia 28 de outubro. Sede da 3ª etapa do Circuito Loterias Caixa, o CPB, na zona sul da cidade de São Paulo, estava cheio de paratletas esperando ansiosos pelo horário de suas provas.

No começo da tarde, a piscina já era espaço aberto para os nadadores. Caíque Aimoré estava na arquibancada, ao lado de sua mãe, esperando o melhor momento para iniciar o seu aquecimento.

Caíque Aimoré, natural de Mogi das Cruzes, teve seu primeiro contato com a natação muito cedo, aos seis anos. “Comecei a competir com dez e não parei mais”, conta. Porém, apenas aos 16, entrou para a competição paradesportiva, a qual participa no dia de hoje.

O diagnóstico de Síndrome de Down veio aos 12 anos. A demora se deve ao mosaicismo, condição que ameniza características da síndrome. Denise, mãe de Caíque explica que “a dificuldade foi compreender o que era a síndrome e que ele realmente tinha Down”. Caíque não pensa duas vezes e concorda com sua mãe com um simples movimento de cabeça.

Mas o diagnóstico não abalou sua confiança. “Eu sempre acreditei que podia ganhar”. Hoje, aos 24 anos, coleciona títulos e recordes. É tricampeão mundial DSISO, (Down Syndrome International Swimming Organization, em português, Organização Internacional de Natação para atletas com Síndrome de Down), nos 100m livre (2012, 2014 e 2016) e bicampeão nos 50m livre e 50m peito (2012 e 2014).

O próximo desafio é no final de novembro. Caíque vai ao México para competir no mundial INAS, (International Federation for Intellectual Impairment Suport, em português, Federação Internacional para Atletas com Deficiência Intelectual), onde pela primeira vez, as classes dentro das deficiências intelectuais foram separadas. “Se não houvesse essa separação, eu não iria”, diz.

A classe S14, das deficiências intelectuais, é a que engloba a Síndrome de Down, de acordo com o Comitê Paralímpico Internacional. Mas devido a questões físicas, como a hipotonia muscular dos paratletas com Down, fica clara a necessidade de uma separação de classes mais justa. O INAS é um órgão próximo ao Comitê e esse avanço nas divisões enche Caíque de esperanças. Um dos seus sonhos é competir em uma Paralimpíada e ganhar uma medalha pelo Brasil. “Daniel Dias e Phelipe Rodrigues são exemplos pra mim”, adiciona.

Por conta dessa divisão atual, Caíque não competiu nos Jogos Paralímpicos do Rio, em 2016. Mas, mesmo que indiretamente, os Jogos geraram mudanças, como a inauguração do CPB. A dependência dos aluguéis para as competições hoje não existe mais. O Centro Paraolímpico Brasileiro “é maravilhoso”, de acordo com Caíque.

Outra mudança foi “uma visibilidade cultural maior”, conta Denise. Com a Paralimpíada no Brasil, as pessoas abriram os olhos para os paratletas, “mas para as pessoas ligadas ao esporte não mudou muita coisa”, complementa.

O grande problema desses olhares é não compreender que o paradesporto é profissional. Ele é tão técnico quanto o regular. “As pessoas de fora enxergam como inclusão social”, ressalta Denise. As conquistas são as mesmas e o reconhecimento precisa ser o mesmo. Caíque destaca que, além das competições, possui uma rotina de atleta. “Treino diariamente. Além da natação, faço musculação, spinning, pilates e atividades funcionais.” E, aos risos, acrescenta, “só saio da dieta quando ganho uma competição”.

Fora das piscinas, Caíque concilia a natação com a graduação. “Não queria ficar sem estudar, então escolhi fazer faculdade de Marketing, na Universidade Braz Cubas, em Mogi mesmo”. Existem complicações por conta das competições no período letivo, mas a intenção é se formar em breve.

Com um sorriso no rosto, Caíque finaliza, “sei que todo o esforço é válido pela medalha”. E, com o mesmo sorriso, vai para a piscina, de onde emana toda a sua força de vontade. Essa mesma força que o fez chegar até aqui e o levará para muito longe.

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