40% das empresas acreditam na retomada de eventos ainda neste ano, aos níveis de 2019, aponta pesqui
- Natália Hinoue

- 2 de jul. de 2021
- 4 min de leitura
O site da TV Cultura entrevistou alguns especialistas sobre este possível retorno durante a pandemia
Uma pesquisa realizada no último mês pela Abracorp (Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas) mostra que 40% das empresas acreditam na retomada de eventos corporativos ainda em 2021, aos níveis da pré-pandemia, em 2019.
A NürnbergMesse Brasil, por exemplo, é uma delas. A empresa criou uma série de protocolos de segurança sob a orientação do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, e está com cinco eventos marcados para o final de novembro.
O mercado ficou otimista com o avanço da vacinação contra a Covid-19 em São Paulo. Para João Paulo Picolo, presidente da promotora, a notícia é um alívio.
“Ficamos mais de um ano e meio com as nossas principais atividades paradas. Claro que a segurança está em primeiro lugar, mas o setor se preparou muito para esse momento, para que as pessoas pudessem fazer negócios de forma segura. Estamos muito otimistas com o retorno dos eventos corporativos no final do ano", declarou.
"Acredito que viveremos algo similar com o fim da Segunda Guerra Mundial, onde as pessoas consumiram mais, valorizaram os encontros presenciais e os eventos de negócios ajudaram a reconstruir a economia do país”, acrescentou.
Segundo ele, os eventos de negócios são diferentes dos eventos como shows e festas: "Os corporativos possuem controle de acesso dos visitantes, dividem o público em horas agendadas, são realizados em lugares grandes para espaçamento das pessoas, enfim, há uma série de protocolos elaborados para a segurança de todos".
Picolo, porém, afirmou que o retorno dos eventos presenciais não excluirá a forma online herdada pela pandemia. "Teremos, claro, eventos digitais, eventos menores e mais exclusivos e os tradicionais encontros no pavilhão. É preciso pensar e atender a todos os públicos com soluções cada vez mais personalizadas", concluiu o presidente da empresa.
Para falar sobre a possibilidade do retorno de eventos corporativos ainda neste ano, o site da TV Cultura entrevistou alguns especialistas, como José Geraldo Leite, infectologista do Grupo Pardini.
Para o médico, reuniões de poucas pessoas para discussões corporativas, desde que vacinadas, com máscara e distanciamento, seria bastante razoável. No entanto, é preciso ficar alerta com a proporção dos encontros.
"Eventos abertos à população com público grande, mesmo com distanciamento, acredito que não seja o momento adequado agora, porque as pessoas acabam se aproximando no coffee break, por exemplo, e infelizmente a pandemia não está controlada no país, inclusive com o surgimento de novas variantes", explica.
A psicóloga Ana Gabriela Andriani acredita que a retomada dos eventos presenciais é uma tendência natural. "Observando os movimentos do comportamento das pessoas em períodos pós guerra e pós pandemias (como a gripe espanhola, por exemplo), acredito que a tendência seja voltarmos aos encontros, às viagens e às atividades que vínhamos fazendo antes desta acontecer", afirma.
"Temos a necessidade do encontro presencial, do afeto, da troca e, fora isso, a vivência de longos períodos de restrição, muitas vezes, faz com que as pessoas tentem buscar de forma acelerada o que julgam ter ‘perdido’, em uma tentativa de recuperar o que não pôde ser vivido", acrescenta.
Apesar disso, segundo Ana Gabriela, algumas pessoas podem sentir dificuldade de retomar a vida presencial, como aquelas consideradas "mais frágeis, com menos recursos emocionais para lidar com esta situação e que já possuíam um histórico de ansiedade, medo, necessidade de controle exagerado e depressão".
"Em meu consultório percebo que, na medida em que as pessoas vão tomando as primeiras doses das vacinas ou que estão próximas disto acontecer, vão sentindo uma satisfação e alegria relacionados à esperança de novamente se sentirem livres para os encontros, para fazer planos, para pensar em saídas econômicas para seus negócios e para viajar. Ao mesmo tempo, as que têm uma fragilidade emocional e que têm um histórico de crises de pânico, ansiedade ou depressão mostram-se mais temerosas, mais retraídas e com mais dificuldades em confiar na retomada por se sentirem muito inseguras", conta a psicóloga.
Será possível voltar à vida normal?
O Dr. José Geraldo Leite diz que não consegue estimar o fim da pandemia, mas que, quando todos os maiores de 18 anos estiverem vacinados, no mínimo 80% e idealmente 90%, é possível ter um controle da pandemia.
"Mas o constante aparecimento de novas variantes, torna bastante imprecisa a previsão. É pouco provável que com a população toda vacinada com as duas doses, o vírus deixe de circular, mas isto não é uma certeza, temos sempre que acompanhar os dados epidemiológicos", comentou.
Em relação ao hábito do uso de máscaras, Ana Gabriela acredita que pode ser que algumas pessoas o adotem no pós-pandemia, por terem tido a experiência de se sentirem mais seguras em relação à transmissão e à contaminação de vírus.
Por outro lado, ela afirma que muitos, provavelmente, não usarão máscara de forma permanente por se sentirem desconfortáveis ou por não acharem mais necessário.
"Para que a mudança de hábito de fato aconteça e seja incorporada, é necessário um trabalho intenso de conscientização e de mais tempo sendo praticado", alerta.



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